Inicial > Blog da Mari
18/07/2018
A relação entre a mortalidade infantil e o mau uso do dinheiro público [Sessão da Câmara – 17-07 – 2018]

O assunto pautou meu pronunciamento na sessão de ontem, 17 de julho, na Câmara de Vereadores de Lajeado

 

 

Há cerca de dois anos vivemos uma crise financeira e política intensa no país.  De 2015 a 2017, o Produto Interno Bruto (PIB) registrou apenas índices negativos. Daqui até 2020, segundo especialistas, apenas recuperaremos o tempo perdido, para em 2021 voltar a crescer.

É necessário um trabalho de ajuste fiscal enorme, a fim de que possamos retomar os índices de 2014. Mas o problema não é este. O problema está nos destroços deixados por esse furacão que nos afetou.

Não é só menos consumo, não são só menos investimentos, não são só 13 milhões de desempregados – porque isso é pouco perto dos maiores problemas deixados pela crise – são 5% a mais de mortes de crianças com até um ano de idade. Número que se repetiu ou até aumentou em 2017.

A grave situação foi revelada pela Folha de São Paulo nesta semana e escancara uma realidade totalmente diversa a um país em tempo de paz, como o nosso. Crescimentos nestas taxas são comuns apenas em áreas de conflito, onde há guerra.

Mas aqui, a falta de vontade e capacidade dos governantes foi capaz de deixar milhares de mães e pais órfãos. Conforme o jornal, esses índices não tinham alta há 26 anos. Parte disso, se deve ao zika vírus, que causou a morte de centenas de crianças, e impediu outros tantos nascimentos.

Porém, ainda assim, muitas mortes poderiam ter sido evitadas caso o dinheiro público deste país fosse bem utilizado. Os cortes feitos pelo ajuste fiscal afetaram muito a saúde. Não há leitos suficientes nos hospitais; faltam remédios e equipes estruturadas para atender os bebês e as gestantes no pré-natal.  Ao mesmo, também houve redução dos valores destinados aos programas de proteção social, como o Bolsa Família.

Sem emprego, sem assistência e sem dinheiro, as famílias mais pobres não tinham condições de tratar simples doenças. Milhares de crianças morreram por diarréia – imaginem isso. E ao contrário do que muitos pensam, não foi apenas no Nordeste que isso aconteceu. A mortalidade infantil também teve alta no RS.

Tenho plena certeza de que a política econômica implantada tenha interferido nisso, mas acredito ainda mais que o sistema sujo instaurado no Congresso Nacional teve ainda mais influência. Lá em 2016, ano em que essas mortes foram registradas, houve aumento de 1,5% no gasto com a folha da União.

Agora, trabalham dentro do Congresso para mais um aumento do teto-salarial, de R$ 33,7 mil reais, para R$ 38 mil. Isso é incompreensível Não tem lógica! As pessoas estão morrendo por falta desse dinheiro! Nos últimos três anos, o custo com o pagamento dos três poderes subiu 20,86%. Não bastasse isso, para 2019 se prevê um gasto de R$ 17 bi a mais.

Isso deixa claro que enquanto a velha política permanecer no controle do nosso país, nada vai mudar. A economia pode melhorar, a crise pode passar, mas a corrupção continuará a pleno vapor. Infelizmente.

 

Compartilhe
Facebook
| Voltar para o topo
Acompanhe os posts
Escolha o tema
Todas
Administração
Saúde
Educação
Esporte e Lazer
Serviços Urbanos e Segurança Pública
Meio Ambiente e Agricultura
Habitação e Assistência Social
Cultura e Turismo
Tema da Semana
Destaque Home
Posts mais populares
O que eu aprendi com Eduardo Leite
Projeto da ONU chega a duas escolas d...
Banco de Voluntários: você pode aju...
Eficiência no serviço público: alt...
Parklets: A cidade para as pessoas